Quantos serviços de streaming você assina? Deve ter algum porque estudo do Kantar IBOPE Media afirma que 98% dos usuários de internet acessam algum tipo de conteúdo de áudio ou vídeo e 73% confessaram que seu consumo de streaming de vídeo (pago ou gratuito) aumentou após o início da pandemia.
De olho nesse filão, além dos conhecidos Netflix, Prime Vídeo, Apple TV, Globoplay, EI Plus, novos players se apresentam como Disney+ e Pluto TV. A pergunta é: quantas plataformas você consegue assinar com o salário que ganha? Esse dilema está no centro das preocupações dos provedores, pois em 2021 os comportamentos das audiências serão ainda mais complexos e difíceis de decifrar.
A diretora de Negócios da Kantar IBOPE Media no Brasil, Adriana Favaro, chama a atenção para esse acúmulo de oportunidades e comenta: “Mas tem um ponto, quantas plataformas posso assinar? Uma das tendências apontadas no nosso relatório é o ‘assinante-bumerangue’, que enxerga as plataformas como intercambiáveis, migrando entre serviços sob demanda e serviços de streaming, elevando a batalha a outros níveis”

O relatório a que ela se refere chama-se Tendências e Previsões de Mídia, onde aponta que é cada vez mais comum o perfil de consumidor que navega entre plataformas e se vê, muitas vezes, diante da difícil decisão de aumentar o número de assinaturas ou de cancelar um serviço para contratar outro. Nos EUA nota-se um aumento no número de consumidores migrando de plataformas: no quarto trimestre de 2019 esse público representava 5%, já no terceiro trimestre de 2020 esse número cresceu 12%. Já o número de consumidores bumerangue, que entram e saem do mercado de streaming, aumentou de 9% no quarto trimestre de 2019 para 14% no terceiro trimestre deste ano.
“Essa tendência irá acelerar em 2021 com a consolidação de mais plataformas. Um caminho promissor para o sucesso são as parcerias entre os players do mercado. Estabelecer acordos de colaboração e investir em agregadores de conteúdo é uma das formas para reduzir a taxa de cancelamento de assinaturas, garantir fidelidade e ofertar conveniência para o consumidor. Esse movimento deve ser umas das prioridades para que o modelo de negócio de assinatura seja sustentável”, afirma Adriana.
O relatório também indica que a TV reforçou seu papel de unir as pessoas dentro de casa, principalmente durante o período de mais força do isolamento social, sendo a principal tela das residências. No Brasil a predominância dos acessos a conteúdo de vídeo é por meio da TV, seguido do smartphone e do computador.
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A Kantar IBOPE Media utilizou seu painel de testes para medição crossmídia, em São Paulo, que faz parte do CMAM – Cross Media Audience Measurement – tecnologia que está em implementação no Brasil para detalhar o consumo de streaming e de TV. Nas primeiras avaliações, foram consideradas três plataformas: Netflix, Youtube e BVOD (plataformas digitais das emissoras). 58% dos brasileiros acessam o Netflix pela TV, 36% pelo celular e 5% pelo computador. Já o Youtube tem 66% dos seus acessos pelo celular, 18% pelo computador e 16% pela TV e as plataformas digitais das emissoras de TV seguem tendência similar do Netflix, 53% pela TV, 33% pelo celular e 13% por meio do computador.
“Nunca foi tão urgente entender a audiência quanto agora, neste cenário de múltiplas escolhas e intensificação da oferta. A medição em todas as telas e plataformas deve ser levada a sério para entender a flutuação da audiência. Com o aumento da concorrência, limitados pelo tempo e pelo bolso dos espectadores, todos os players precisam saber o valor de ter uma visão integrada da audiência”, finalizou Adriana.
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A imagem da homepage é de Andrea Piacquadio